[Onomatopeia Entrevista] POTÓF! A ascensão de Wendell Cavalcanti: de fã a desenhista de seu herói favorito

Wendell Cavalcanti conseguiu aquilo que toda criança aspirante a quadrinista sonha: desenhar as HQs de seu personagem preferido. “desenhava o Fantasma em meu caderno vezes sem conta, a todo o momento. Hoje posso fazer isso profissionalmente”, comenta. Desde 2019, quando estreou na história The Phantom Requiem, o artista tem contribuído para a manutenção do longevo mito do Fantasma (The Phantom), herói cujas aventuras precedem ao surgimento dos super-heróis, e que foi primordial para Wendell em sua juventude.

Desde 2019, Wendell tem colocado seu estilo à serviço de um dos mais tradiicionais personagens das HQs.

Nascido em Natal, no ano de 1973, Wendell Cavalcanti cresceu sob influência dos quadrinhos das décadas de 70 e 80, e o desenho sempre fez parte da sua vida. Na virada dos anos 90 para os 2000, iniciou sua parceria com o Estúdio Reverbo, colaborando com seu traço em histórias para as revistas Bio 47 e Brado Retumbante. Foi nesse período, que sua carreira começou a deslanchar e seu trabalho chegou até editoras estrangeiras. Em seu currículo constam séries como The Undertaker’s Daughter, Adventures of Paula Peril, The Invisible Scarlet O’neil e BlackAcre.

Entre seus trabalhos autorias estão Terra de Ninguém (2011), Cajun: O bom Franjou (2013), Boca do Lixo – Os Anos Que Estão Por Vir (2015) e sua sequência Pornochancheiros (2018). Wendell colaborou ainda com os dois números da revista Depois de Tudo (2011 e 2013) e das coletâneas Máquina Zero (2013), Visualizando Citações (2013) e Amor em Quadrinhos (2017). Tudo isso antes de assumir o traço do “Espírito que Anda” (como o Fantasma também é conhecido) em quadrinhos publicados para a editora australiana Frew Publications.

A trajetória do ilustrador, suas inspirações e parcerias são tratadas na entrevista a seguir.

Onomatopeia: Como os quadrinhos entraram na sua vida? Quais foram suas primeiras referências nessa área?

Wendell Cavalcanti: Na infância, como normalmente acontece. Meu pai me trazia muitos quadrinhos ou me levava aos sebos, no Alecrim, que na época, ainda tinha muita publicação remanescente dos anos 70 e até de décadas anteriores, então havia uma variedade enorme. Era difícil escolher. Muitas vezes, ele levava revistas dele pra trocar por quadrinhos. Quando isso acontecia, eu voltava abarrotado de quadrinhos de todos os tipos. Bem dizer, que tudo que li naquela época me influenciou, ainda que eu não tivesse consciência disso.

Onomatopeia: Como se deu seu aprendizado em desenho e início como quadrinista?

Wendell: Comecei a desenhar ainda criança também. Queria contar histórias. Claro que todas eram cópias do que eu lia, mas foi assim o começo. Na escola, na 5ª série, conheci alguns meninos que liam Marvel e DC, e passávamos a tarde criando super-heróis e histórias e desenhando personagens em poses de batalha. Nunca parei de desenhar, mesmo que passasse por uns hiatos por conta de trabalho e outros interesses. Como quadrinista de fato, só mesmo por volta de 2004 ou 2005.

Onomatopeia: Você desenhou histórias para as revistas Bio 47 e Brado Retumbante, como você conheceu os artistas da Reverbo e que impacto essa experiência teve em seu trabalho?

Wendell: Sim, desenhei. Conheci através de um “zine” que um deles publicou. Entrei em contato pelo endereço que havia lá e acabei encontrando alguns deles pessoalmente. Depois foram chegando outros. As duas publicações serviram pra que nós aprendêssemos a fazer quadrinhos, pois, apesar da vontade, ninguém sabia nada de nada. Não havia cursos sobre isso (pelo menos eu não sabia de nenhum. E se havia, ninguém me falou). Então nos juntávamos, tentando colocar em prática o que víamos nas revistas que líamos. Trocávamos experiências, informações, aprendendo composição, perspectiva, narrativa, anatomia, arte-final. Foi uma boa experiência de aprendizado. Era a versão dos fanzines da geração anterior. E seguimos assim por vários anos.

Ilustração retratando o personagem O Duque.

Onomatopeia: Como seu trabalho chegou às editoras estrangeiras e quais foram seus primeiros trabalhos publicados fora do país?A princípio, você sentiu alguma dificuldade?

Wendell: Não lembro exatamente se foi por volta de 2003 ou 2004, que um dos caras da Reverbo começou a procurar alguns trabalhos em sites do exterior e nos passava. Tipo um agenciamento “mambembe”, meio desorganizado, mas era o que rolava. Como boa parte de nós tinha empregos no dia a dia, esses trabalhos serviam mais como um incentivo pra aprendizado na prática. Aparecia um trabalho, eu fazia, recebia o pagamento, pagava a porcentagem do agenciamento, digamos assim, e pronto. Fiz alguns trabalhos que jamais devem ter saído da gaveta. Fiz várias histórias pornôs, escritas por Miguel Rude, pra alguns sites estrangeiros. Houve um momento, se não me engano, que fazia ilustrações pra uma Bíblia infantil ao mesmo tempo em que fazia essas páginas pornôs. Com o mesmo lápis. Imagino o que essa editora evangélica falaria.

Em algum ponto, fiz algumas páginas para Eric Palicki, e considero esse meu primeiro trabalho publicado, ainda que tenha sido no blog dele, The Undertaker’s Daughter. Era sobre uma garota, Sarah, de 16 anos, que era uma assassina de aluguel. Eram histórias curtas, fechadas, de quatro páginas cada. Desenhei quatro ou cinco roteiros com Sarah. Depois, Eric imprimiu exemplares e levou para uma Comic Con. Então, definitivamente, foi o primeiro trabalho publicado.

Não senti dificuldades. Tinha alguma facilidade com a leitura em inglês e pude aprender na prática como fazer uma HQ curta.

Depois dessa experiência de agenciamento informal com a Reverbo, fui procurar trabalhos por conta própria. Daí consegui vários outros contatos que foram bastante prazerosos de se trabalhar, como Adventures of Paula Peril, The Invisible Scarlet O’neil, com Michael Gordon e Strong Will, de Michael Gordon e Bobby Nash. Tive bastante sorte, pois todos foram bastante agradáveis no trato e honestos.

Logo depois vieram trabalhos para as editoras Image, Moonstone e Frew.

Onomatopeia: Você tem uma parceria prolífica com o roteirista Eric Palicki, fale um pouco sobre essa colaboração e seus principais frutos.

Wendell: No começo, conversávamos pouco, pois eu tinha acesso limitado a um computador. Quando surgiram as lan houses, pude procurar mais trabalhos e passei a conversar mais com Eric. Ele sempre tinha muitas ideias e escrevia muito e, normalmente, ele me mandava um roteiro pra eu desenhar e enviar para editoras. Foram vários roteiros enquanto ele melhorava sua escrita e eu melhorava meu traço. Broken Boulevard, Neverland, Gunsmyth, Legendary Weapons, são alguns dos roteiros que me lembro assim de cara, que desenhei. Todos como pitch, enviados pra editoras.

O principal fruto, posso dizer, foi Atlantis Wasn’t Built For Tourists, uma minissérie de quatro edições, que desenhei do começo ao fim. Eric colocou em campanha no Kickstarter e conseguiu financiar o projeto em algumas poucas semanas. Foi lançada como um encadernado e vendeu bem nas Comic Cons em que ele participou e logo a Scout Comics se interessou em publicar a mini em quatro números. Isso já faz alguns meses e já foi lançado um segundo encadernado pela Scout. Depois que Eric escreveu uma aventura de Guardiões da Galáxia pra Marvel, nós engatamos outro projeto juntos, que foi Black’s Myth, atualmente sendo publicada pela Ahoy Comics. Minissérie em 5 edições, que mostra Janie “Strummer” Mercado, uma mulher/lobisomem detetive particular, com seu parceiro, Ben, um Djinn. Essa série foi bastante divertida de se trabalhar.

Aqui vale salientar e agradecer o apoio da Ahoy Comics. 2020 foi um ano bastante difícil para todos, ninguém sabia o que viria pela frente com os isolamentos, distanciamento social e fechamentos dos estabelecimentos. A Ahoy deixou todos os artistas tranquilos, garantindo todos que tinham contrato com ela, manter os trabalhos até o fim. Foi incrível.

E, ainda que eu viesse a sofrer uma perda familiar ainda no início do ano, foi o ano mais tranquilo profissionalmente falando, pois também tive apoio da editora da minissérie, a Sarah Litt, bastante compreensiva por esse lado e editando as páginas com destreza.

Terra de Ninguém explora um futuro distópico para a capital potiguar.

Onomatopeia: Em seu trabalho em parceria com outros autores, o quanto você se limita a traduzir as ideias do roteirista e o quanto se coloca como um coautor mais ativo?

Wendell: Eu me intrometo mais quando é algo em que trabalho com Jamal Singh, meu amigo e roteirista do Boca do Lixo, Cajun e Kaur. Eu discordo, dou palpites, reclamo, mudo páginas sem nem mesmo avisar, depois ele que se vire pra reencaixar o texto.

Com Tor Dollhouse, outro amigo e roteirista, mas australiano, eu discuto também, reclamo, mudo as coisas… enfim. Porque são ideias em que estou participando desde o começo, então me sinto responsável também, quero que dê certo. Tem algumas coisas que visualmente fazem mais sentido pra mim, então me sinto à vontade pra discutir com mais disposição.

Com outros autores, aí depende do nível de intimidade. Com Eric, eu sugiro algumas coisas, uma mudança de painel ou de composição, mas ele já vem com o roteiro pronto e meu trabalho é o de colocar tudo no papel.

No meu primeiro trabalho com a Image, a série Blackacre, eu não tinha contato com o autor e resolvia tudo através do editor até o nº 6. Daí em diante, eu passei a entrar em contato com o autor, mas só tirava algumas dúvidas.

Com o Fantasma é a mesma coisa. Tento ao máximo seguir o roteiro dos escritores.

Onomatopeia: Como foi o desenvolvimento da HQ Terra de Ninguém? Olhando em retrospecto, você acha que a sociedade imaginada na obra está mais próxima de se realizar do que na época de seu lançamento?

Wendell: Eu sempre gostei de distopias e queria fazer uma. Eu tinha uma ideia pra uma história desde 1993, quando dei baixa da Marinha, mas nunca tive jeito pra escrever. Cheguei a pedir ajuda a dois amigos meus na época, mas deu em nada. E ficou na gaveta. Como na Reverbo poucos escreviam, e quem mais tinha ideias pra isso era Miguel Rude, pedi a ele pra escrever o roteiro.

A gente conversou sobre o que eu queria e sobre as ideias que tive na época. Ele teve a “brilhante” ideia de fazer no “Método Marvel”, pois era mais interessante e tal… Mentira. Era só uma puta preguiça dele de escrever. Então eu resolvi fazer na porcaria do “Método Marvel”. Desenhei todas as páginas, fazendo o que eu queria fazer, como eu queria fazer, cometendo todos os erros que foram possíveis e ele foi criando a história e o texto em cima disso.

Saiu um monstro de Frankenstein. Ainda me surpreendo que tenhamos conseguido contar uma história e que de fato seja compreensível. Lembro de alguém (alguém bem frustrado e arrogante) dizendo pra Miguel: “Um cara correndo a história inteira não é um roteiro, Miguel”.

Corra, Lola, Corra! Manda lembranças.

Eu tenho uma visão pessimista do futuro. A sociedade está chegando bem perto daquilo. Obviamente, não da mesma forma. Mas com governos do tipo que temos hoje, aqui e em diversos países (autoritários, xenófobos, racistas), não demora muito.

[o desenhista] Deve ser um bom cumpridor de prazos e ser bastante franco quanto ao trabalho. Se pode ou não pode fazer determinado volume de trabalho em determinado tempo. Desenhar é um ato bastante solitário. Há pessoas que talvez não aguentem ficar sozinhas por tanto tempo. Eu me dou muito bem com o silêncio e sem nada que tire minha atenção. Já estive em salas com outras pessoas para trabalhar e percebi que isso tira a minha concentração, então eu não conseguiria produzir páginas no meio da barulheira.

Boca do Lixo narra a jornada de Tomé, Caio e Miguel, três imigrantes tentando ter sucesso em São Paulo nos anos 60.

Onomatopeia: O cinema “marginal” brasileiro das décadas de 60 e 80 é tema de Boca do Lixo – os anos que estão por vir. De onde veio a ideia de usar esse contexto de época e cenário para ambientar sua HQ? O que você considera mais interessante em trabalhar essa temática?

Wendell: A Pornochanchada surgiu no final da década de 1960 e morreu no começo da década de 1980, com a ascensão da pornografia. Nós começamos nesse período, de 60. Jamal é historiador e apreciador de filmes tanto quanto eu. Aliás, bem mais, pois ele vai atrás de coisas fora do radar mesmo. Eu já sou mais preguiçoso. Mas gostávamos da pornochanchada. Em uma das edições da Fliq, depois de lançar Cajun, estávamos pensando em que quadrinho fazer em seguida (o que era uma patifaria nossa, afinal, devíamos ter pensado em terminar a segunda parte de Cajun).

Tínhamos um projeto chamado A Mácula do Canalha, mas não estávamos conseguindo chegar a um resultado satisfatório com ele. Lembro que eu tinha lido um quadrinho que comprei no FIQ-BH sobre um ator pornô e eu comentei com Jamal sobre esse quadrinho. Uns minutos depois, ele veio com a ideia de contar a história dos três personagens que aparecem no Boca do Lixo – os mesmos que apareceriam em “A Mácula”… e resolvemos o problema. Iríamos contar uma história de época, falar sobre um assunto que gostamos, misturar um pouco de fato histórico e muita ficção e putaria.

Nosso plano era de cobrir as três fases, então estamos perto de encerrar essa jornada com o terceiro volume.

Onomatopeia: Como se deu o convite para desenhar o herói Fantasma pela editora Australiana Frew Publications? É verdade que você já era fã do personagem?

Wendell: Sim, é verdade, eu sou fã. Desde criança. Talvez muito desenhista diga isso do personagem que esteja desenhando no momento, mas eu sou. Não tenho tudo que foi publicado, claro, mas uma coisa ou outra eu adquiria.

Depois que eu terminei a série da Image, um cara que acompanhou essa série entrou em contato comigo pra fazer algumas encomendas de ilustrações. Esse cara era Tor [Dollhouse], que eu mencionei anteriormente. Passamos a conversar bastante sobre essas encomendas (agora eu já tinha um computador) e ele começou a mostrar ideias de roteiros pra HQ’s… começamos e desenvolver juntos várias coisas. Assim que ele soube que eu era fã do Fantasma, ele sugeriu fazermos uma proposta de história pra apresentar a Frew. Como ele mora lá, achei que seria bem mais fácil o contato, e topei.

Desenvolvemos uma história, desenhei algumas páginas de amostra e ele enviou e foi pessoalmente conversar com o Glenn [Ford], um dos editores da Frew. Bom, a história infelizmente não foi aprovada. Acho que carregamos um pouco na tinta. Era uma história com um toque de terror, bem sombria, não pro lado sobrenatural, mas mais mundano. Umas semanas depois, recebi um convite do editor para trabalhar no roteiro de Pidde Anderson, para o Anual do Fantasma de 2019. Esse foi meu primeiro roteiro do personagem e acabei fazendo também a capa dupla dessa edição anual.

Depois trabalhei com Julie Ditrich em um roteiro de duas partes – The Adventure of the Dragon’s Leg – que foi publicado no especial Treasures of the Drakon.

Desenhei uma história curta The Phantom and the FlameWelcome Aboard, escrito por Andrew Constant.

Atualmente estou trabalhando no arco em quatro partes The Return of the Golden Circle, escrito por Julie Ditrich.

Cajun: O bom Franjou é um faroeste centrado na vinganla de Michel Meliés, com arte de Wendell e roteiro de Jamal Singh.

Onomatopeia: O que há de mais divertido em desenhar o herói?

Wendell: Desenhar o próprio personagem. Quando criança, desenhava o Fantasma em meu caderno vezes sem conta, a todo o momento. Hoje posso fazer isso profissionalmente, mas continua divertido.

Onomatopeia: O artista potiguar Evaldo Oliveira já desenhou o Fantasma na série de revistas da Rio Gráfica e Editora, entre os anos 60 e 70.Você já teve contato com o trabalho dele, em geral, e na revista do “Espirito que anda”?

Wendell: Olha, eu consumi bastante material da RGE na minha época de criança, então devo ter tido esse contato com o trabalho dele, embora eu não soubesse disso na época e nem havia o nome dos desenhistas na história (somente no expediente, mas isso só descobri muitos anos depois), mas como lia muito o Fantasma e [Recruta] Zero era outro que eu adorava, devo ter tido sim.

Onomatopeia: Além do Fantasma, você está envolvido em outros projetos?

Wendell: Sim. Alguns eu, definitivamente, não posso comentar até darem o sinal verde. Quando me disserem “pode falar”, eu aviso. Mas com certeza posso falar do volume 3 do Boca do LixoPornógrafos, Cajun – O Bom FranjouParte 2 e The Catcher e Quiz.

Boca do Lixo, vol. 3 – Vamos seguindo a vida de Caio, Tomé e Miguel, agora tendo que encarar o fim de sua fase de sucesso da produtora “Trio Maravilha” com os filmes da pornochanchada e tendo que decidir o que fazer nessa nova década que começa… Os anos de 1980.

Cajun – Parte 2 – Vamos ter de encerrar a vingança de Michel Meliés, finalmente responder se ele é um ser sobrenatural ou um ser humano imensamente vingativo.

The Catcher e Quiz são dois projetos que eu venho trabalhando com Tor Dollhouse bem diferentes um do outro. O primeiro segue uma linha de terror, com uma criatura que é um detetive nos pesadelos e Quiz é um patinho cientista, que viaja no tempo e espaço em uma geladeira. Deverá seguir uma linha mais divertida, com humor sarcástico. Mas está bem difícil de mantermos um cronograma. Tor trabalha nos estúdios de cinema na Austrália, só no ano passado, ele trabalhou na produção dos filmes da Marvel Shang Chi e Thor. Ficou apertado pra darmos seguimento ao que tínhamos em mente.

Deve sair ano que vem Cold Lightning, de Van Allen Plexico, minissérie em três partes que desenhei. Fiz só o lápis, a arte final é de Jarrod Alberich.

Acho que por enquanto é só.

Capa da edição anual de 2019 do Fantasma publicado pela editora australiana Frew Publications.

Onomatopeia: Baseado em sua experiência, que características um quadrinista deve ter para se consolidar como colaborado nas editoras estrangeiras?

Wendell: Deve ser um bom cumpridor de prazos e ser bastante franco quanto ao trabalho. Se pode ou não pode fazer determinado volume de trabalho em determinado tempo. Desenhar é um ato bastante solitário. Há pessoas que talvez não aguentem ficar sozinhas por tanto tempo. Eu me dou muito bem com o silêncio e sem nada que tire minha atenção. Já estive em salas com outras pessoas para trabalhar e percebi que isso tira a minha concentração, então eu não conseguiria produzir páginas no meio da barulheira.

Você teve (ou tem) que fazer algum sacrifício para se manter nesse mercado?

Wendell: Não tive que fazer nenhum sacrifício. Trabalhar até tarde todo mundo já trabalhou, independente da profissão. Já varei a noite pra cumprir prazos, mas isso nem se compara às noites em que passava acordado na recepção do hotel em que eu trabalhava.

Pra se manter no mercado, às vezes, isso nem depende só do desenhista. Há tantos outros fatores que pode influenciar, mas sem dúvida, ter um traço que chame a atenção, ajuda bastante em se manter à vista.

Onomatopeia: Cite uma onomatopeia (que você goste da grafia, sonoridade ou que tenha um significado especial para você). A proposta da entrevista é ter uma onomatopeia no título.

Wendell: Potóf!

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