[Resenha] Eni Guimá – As Pedras do Poder

Em Eni Guimá – As Pedras do Poder (2021), História em Quadrinhos com roteiro e desenhos de Wanderline Freitas, três criminosos invadem o museu de Gota City e roubam três pedras mágicas. Munidos das relíquias, os malfeitores partem para longe da metrópole a fim de dominar os dons concedidos pelas rochas e iniciar uma ascensão rumo às suas ambições de poder. Algum tempo depois, o detetive Eni Guimá segue o rastro dos larápios e a ele se juntam seu parceiro habitual, o super-herói Urubu Man, e o desconhecido Ran Zinza (também conhecido como “Fede Fede”), um residente local com queixas contra a tríade e que decide acompanhá-los.

A busca por relíquias mágicas guia a história em Eni Guimá – As pedras do poder.

No caminho, Eni, Man e Fede Fede cruzam com os vilões afetados pelas pedras, agora com suas formas físicas alteradas (e sob as alcunhas de “Carro de boi”, “Mata burro” e “Arame farpado”). Intimidados, os mocinhos fogem desesperadamente e Ran revela conhecer uma bruxa que tem informações sobre as pedras do poder (como recuperá-las e reverter suas sequelas) e conduz seus companheiros até a mulher. Munidos da informação, Eni, Man e “Fede Fede” voltam ao encalço dos marginais e, enfim, se consuma o confronto que decide o destino das pedras.

A HQ é uma leitura rápida e bem humorada e a rapidez com que as situações ocorrem e os conflitos se resolvem, atribui leveza e agilidade à história, ajudando a aventura a não se estender além do necessário. Afinal, não há nada mais sem graça do que uma piada que se estende além da conta. Ao mesmo tempo, a urgência em resolver o conflito apresentado termina por resultar na adoção de soluções fáceis. A maneira caricata com que os personagens são representados ajuda a que o leitor rapidamente se situe quanto à personalidade e a finalidade de cada um. Quanto à arte, o desenhista mostra originalidade e criatividade na concepção visual daqueles tipos.

Ainda que a aventura em questão preze mais pelo efeito cômico do que pela lógica, há algumas questões a serem observadas: A recorrência com que determinados personagens simplesmente aparecem e desaparecem do nada em alguns momentos e a falta de uma definição mais clara sobre os poderes das pedras, como eles se aplicam, e o motivo dos criminosos assumirem formas tão inusitadas.

Embora as pedras do poder sejam os objetos que guiam o enredo, o maior poder do gibi termina sendo o do roteiro em entregar tudo de bandeja ao seu protagonista. Quando ele precisa de algo, aquilo simplesmente aparece; quando ele procura alguém, aquela pessoa se materializa diante dele sem maior dificuldade.

Com um roteiro mais preocupado com suas piadas do que com a consistência da trama, Eni Guimá – As Pedras do Poder é uma comédia/aventura despretensiosa, com personagens expressivos, boas tiradas e desenlaces cômicos. Tendo falhas que não vão incomodar e, talvez passem batido, a quem não pensar muito a respeito, porém para àqueles que o fizerem, estas ficarão mais evidentes a cada releitura.

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