[Resenha] A rabeca da liberdade

Escrita e desenhada por Antonieto Pereira, A Rabeca da Liberdade (2020) transforma em narrativa gráfica a trajetória de Fabião das Queimadas, personagem histórico da cultura popular potiguar conhecido como repentista, rabequeiro e poeta autodidata. Nascido escravo no sertão do Rio Grande do Norte, Fabião encontrou na música e na poesia instrumentos de resistência e ascensão social, alimentando o sonho de conquistar a própria liberdade, algo que parecia inalcançável para um homem negro submetido à escravidão no século XIX.

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[Resenha] Jesuíno Brilhante

Jesuíno Brilhante (publicada originalmente em 1987) transforma em narrativa gráfica a trajetória da figura homônima, lendária do sertão nordestino, frequentemente lembrada como um cangaceiro de rígido código de honra e senso particular de justiça. Com roteiro de Emanoel Amaral e desenhos divididos entre o próprio Amaral, Aucides Sales e Luiz Elson, a obra procura reconstituir episódios marcantes da vida do personagem, especialmente sua intensa rivalidade com a família Limão, além dos anos de perseguições, emboscadas e confrontos armados pelo interior potiguar.

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[Resenha] Os Black – The Black Album

Os Black – The Black Album (2018), de Mario Rasec, é uma HQ de humor adulto que transforma estereótipos, preconceitos e polêmicas em combustível para uma sucessão de histórias curtas tão absurdas quanto debochadas. Misturando humor ácido, estética underground e referências diretas à cultura do black metal, a obra acompanha o trio formado por “Black Vomit”, “Hell Storm” e “Fat Butcher”, personagens que vivem situações cotidianas atravessadas pelo imaginário do chamado “metal extremo”.

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Edmar Viana: o humor gráfico como retrato do cotidiano potiguar

Poucos artistas conseguiram transformar o cotidiano potiguar em matéria-prima para crítica, humor e reflexão com tanta precisão quanto Edmar Viana. Chargista, cartunista e quadrinista, Edmar foi um dos nomes fundamentais do humor gráfico produzido no Rio Grande do Norte, construindo uma obra marcada pela síntese visual, pela ironia afiada e pela capacidade de enxergar humanidade mesmo nos cenários mais duros da vida urbana.

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[Resenha] Extraordinariamente Notáveis nº1

A proposta de Extraordinariamente Notáveis nº 1 (2026), com roteiro de Beto Potyguara e arte de Wolclenes Freitas e Anderson Gomes, parte da ideia tão ambiciosa quanto instigante de reimaginar figuras históricas brasileiras como integrantes de uma sociedade secreta que atua nos bastidores para moldar os rumos do país. O conceito, assim como a própria equipe, já havia dado as caras em Os Notáveis e Outras Histórias (2011), mas aqui ganha escopo para se estruturar como algo maior.

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[Resenha] Quando os Anjos Queimaram

Quando os Anjos Queimaram (2016) é uma daquelas HQs que não se contentam apenas em contar uma história, ela quer provocar sensações. Com roteiro de Marcos Guerra, desenhos de Marcos Garcia e arte-final de Carlos Alberto, a obra mergulha em uma Natal alternativa, devastada por um improvável ataque nazista na década de 1940.

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[Resenha] De volta para onde você pertence

No melhor estilo das HQs que equilibram crítica social e entretenimento, De volta para onde você pertence (2024), com roteiro de Caio Martins, desenhos de Jeff Dênis e arte-final de Carlos Alberto, é uma ficção científica que vai além do espetáculo visual para tocar em conflitos bem reais do mundo do trabalho.

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[Criador e Criatura] Carcará: o cangaceiro indomável do sertão criado por Beto Potyguara

Carcará é um cangaceiro fictício do sertão nordestino criado pelo professor, roteirista e quadrinista Beto Potyguara. Protagonista de histórias que dialogam com a literatura de cordel e com o imaginário da cultura popular, o personagem atravessa narrativas marcadas por pelejas improváveis com figuras históricas e folclóricas. Irreverente e valente, Carcará vive aventuras que misturam humor, poesia rimada e o espírito fantástico do sertão.

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[Resenha] Bicho Bom

Com roteiro de Beto Potyguara, arte de Yuri Pablo e capa de May Santos, Bicho Bom é uma distopia que mistura humor, crítica social e sátira de gênero. Em um futuro devastado por sucessivas pandemias e pela cisão entre elites econômicas e os chamados “párias”, a humanidade foi drasticamente reduzida. A história se passa em Nordesterra, último reduto habitável, onde emergiram feras evoluídas de aparência humanoide que passaram a rivalizar com os remanescentes humanos.

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[Resenha] Coletânea Potiguar de Quadrinhos

A Coletânea Potiguar de Quadrinhos (2016) se apresenta como um panorama expressivo da produção de HQs no Rio Grande do Norte, reunindo obras de estilos, gêneros e propostas bastante distintas. A coletânea aposta justamente na diversidade: do intimismo existencial à ficção científica política, do horror místico à sátira de super-heróis, passando pela crítica social e pelo resgate histórico.

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[Resenha] 1817 – A Revolução Republicana no Rio Grande do Norte

Há histórias que precisam ser desenterradas e revisitadas para que tenham seu sentido compreendido pelas novas gerações. 1817 – A Revolução Republicana no Rio Grande do Norte (2011) parte exatamente desse gesto simbólico; a HQ se inicia em 1995, na Igreja Matriz de Natal, quando um grupo de pesquisadores escava o local em busca dos ossos de André de Albuquerque Maranhão que ali teria sido sepultado. Esse recurso de enquadramento contemporâneo funciona como gatilho para um longo flashback histórico, que passa a reconstruir os acontecimentos que levaram André de Albuquerque de líder revolucionário a mártir de uma revolta fracassada.

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[Resenha] Cactus para o jantar

Nem todo quadrinho começa com um encontro fofo ou uma faísca romântica. Cactus para o jantar (2018), de Gabriel Dantas, faz o caminho inverso e já abre com um término (seco, direto e desconfortável), como muitos são na vida real. A garota pede uma definição para o relacionamento; a resposta vem em forma de ruptura. O garoto ainda tenta a saída padrão, o famoso “vamos continuar amigos”, prontamente recusado. Esse mal-estar inicial não é só um ponto de partida narrativo: ele dá o tom de uma história interessada em afetos desalinhados, expectativas frustradas e vínculos que raramente se equilibram dos dois lados.

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